MOSTRA DE DESIGN

Discutir como nossas ações e pensamentos podem alterar a sociedade e o mundo em que vivemos é a proposta da Mostra de Design Criativar. Fazer com que os designers participantes pensem sobre este assunto o traduzindo de forma visual em formato de postal, assim como, fazer com que os visitantes da exposição online reflitam sobre suas próprias ações e o que pode ser feito para que a sociedade em que vivemos torne-se melhor.

TEMA:

AGROECOLOGIA: NATUREZA, ALIMENTO E SAÚDE

Em dezembro de 2018, a Assembléia Geral das Nações Unidas adotou uma resolução declarando 2020 como o Ano Internacional da Saúde Vegetal. O ano é uma oportunidade de aumentar a conscientização global sobre como proteger a saúde das plantas pode ajudar a acabar com a fome, reduzir a pobreza, proteger o meio ambiente e impulsionar o desenvolvimento econômico.

CURADORA

MÁRCIA OKIDA

Natural da cidade de Santos onde nasceu em 1967. É Designer Gráfico desde 1986 e, desde então, dedica-se a fomentar a arte e cultura local, principalmente o Design Gráfico na região. Professora universitária desde 1996. Pesquisadora da linguagem das cores desde 1988. Atualmente é professora do curso de Graduação em Produção Multimídia, além de ser coordenadora e idealizadora deste mesmo curso da Unisanta. Organiza exposições, eventos e faz curadoria nas áreas das arte e design. Dá palestras, cursos e entrevistas sobre os mais variados temas relacionados ao design gráfico e às cores. Produz livros e cartazes, desenha cenários. Cria contos e poemas. Compõe haicais. Escreve e monta peças de teatro; canta, lê e representa. Dedica-se também a artigos que pensam o design em revistas e sites especializados.  Como artista visual a característica principal do seu estilo de trabalho é o minimalismo gráfico — inspirado pelos designers japoneses Ikko Tanaka e Shigueo Fukuda — e o maravilhoso uso das cores de Van Gogh, influências estas que também podem ser percebidas em seus textos.

AVALIADORAS

NARA ASSUNÇÃO

Jornalista formada em 2007, Nara Assunção já atuou em jornais de Santos, como Boqnews e A Tribuna, exercendo funções em diferentes áreas como design, fotografia, reportage e mídias sociais. Hoje, atua como professora universitária na Unisanta, nos cursos de Jornalismo e Multimídia, e é mestranda em Ecologia.

"Cada uma das 10 artes representa – com linguagens diferentes – um pouco da agroecologia e como as atividades humanas podem impactar positiva ou negativamente neste processo. A sensibilidade de cada artista, junto com as técnicas utilizadas, foi o que mais me chamou atenção e me influenciou nas escolhas.

 

Para escolher as artes levei em consideração principalmente a proposta da mostra Criativar, com postais que trazem a reflexão de como nossas ações e pensamentos podem alterar a sociedade e o mundo em como vivemos. 

 

Pontos importantes como a estética geral, criatividade e a originalidade de cada postal também contaram para a escolha como está no briefing de criação da mostra."

Beatriz Rota Rossi é artista plástica ganhadora de prêmios na linguagem de arte postal no México. Tem obras em  museus no Brasil e no exterior. Escritora e professora na Unisanta de Estética e Cultura na comunicação no curso de Publicidade e Propaganda, História da Arte, no curso de  Design e Produção Multimídia e Cultura e Sociedade Contemporâneas, no curso de Jornalismo.

"Foi difícil escolher entre participantes que levaram tão a sério o trabalho. Fiz questão de não ler a explicação escrita para deixar que a imagem fale por si só. E isso aconteceu na totalidade dos trabalhos. O que  corroborei quando posteriormente Li os textos.  Esse é um dos pontos altos do que eu vi. Parabéns a todos e foi um prazer ficar diante e dentro da obra de vocês."

BEATRIZ ROTA ROSSI

PATRICIA PENNA

Ex Secretária adjunta de Cultura do Estado de SP - Designer Criadora do Design na Brasa, Futuro na Cultura, Simposio Polymerclay, Lavagem do Beco do Batman e atualmente estudante de Administração na Anhembi Morumbi

"Como start para traçar um norte avaliador, busquei encontrar a coerência da obra com seu descritivo, o propósito para que foi criado. Tracei no briefing elementos que comporiam o conceito principal das propostas. Sem sombra de dúvidas a questão ambiental é o foco principal, e  a agroecologia é a profundidade que traz o diálogo sobre como estamos nos alimentando.

 

Dito isto, fui em busca de mensagens claras e que respeitassem a hierarquia visual, a fim de não causar ruídos que dificultassem a compreensão.

 

Por fim, o equilíbrio estético e sinestésico causado por elementos e espaços de respiro que pudessem contemplar a mensagem da obra."

SELECIONADOS FINAIS

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1º LUGAR:

"Harmonia Infinita" de Letícia Martins Paschoaloni - São Vicente . SP

A narrativa visual partiu da idéia de representar a agroecologia como a harmonia entre tecnologia, criatividade,agricultura sustentável e a vontade de assegurar uma vida saudável para o mundo.
Uma harmonia que deve se repetir infinitamente para o bem do planeta.
A obra foi feita de forma digital mas para representar o tema de forma mais orgânica a preferência foi por texturas de giz de cera e spray e cores variadas para representar a diversidade do assunto.
As cores foram escolhidas de acordo com a temática. O azul representando paz, rosa representando amizade e harmonia, verde que representa o sustentável e um céu colorido representando esperança que explode para o planeta cada vez que esse ciclo harmônico é novamente iniciado trazendo para cada vez mais perto um futuro sustentável.
Além da representação óbvia ao ciclo infinito, também mostra como os conceitos e princípios ecológicos devem rodar o mundo para serem compreendidos e praticados por todos por um mundo melhor.

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2º LUGAR:

"Vida Seca" de Marcos Guinoza - Santos . SP

“Vida Seca” é uma obra de colagem digital e procura refletir sobre questões urgentes do mundo atual como aquecimento
global, desastre ambiental, fome e o risco de desertificação do planeta, que pode resultar em uma grave crise alimentar em um futuro não muito distante. É uma arte carregada de simbolismos.
O uso de cores quentes (laranja e vermelho) tem como objetivo remeter ao aumento da temperatura provocado pelas mudanças climáticas. A árvore seca (queimada) olha para o problema do desmatamento que continua devastando a Amazônia brasileira.
Resta apenas uma folha nessa árvore, que pode ser interpretada como esperança de que ainda há tempo para reverter esse processo contínuo de destruição do meio ambiente ou como alerta: estaremos nós a uma folha do fim? A figura humana, magérrima, representa a fome, a escassez, a secura, por isso tem a pele craquelada tal qual um solo infértil. A figura tem o rosto virado para a folha, como se buscasse algum alento no pouco de vida que ainda resiste à ganância humana.

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3º LUGAR:

"Meteoro pra Quê?" de Víctor Castanheira de Almeida - Santos . SP

A peça Meteoro Pra Quê? Indaga como somos os arquitetos de nossa própria destruição, invocando no formato de uma motosserra, o meteoro, símbolo do que causou a extinção dos dinossauros, estes que aqui, representados por um triceratops, simbolizando o caráter da classe política dominante no Brasil. Eles que se dizem os estandartes da “nova política”, porém não passam dos mesmos velhos dinossauros, com os mesmos velhos dogmas e com o mesmo velho desprezo pelos paradigmas modernos, enfrentados por uma sociedade que luta pelo caminho da evolução, seja ela moral, tecnológica ou espiritual, enfrentando as barricadas daqueles que saudosamente buscam frear o progresso defendendo os chamados “Bons e Velhos Tempos”, que nunca foram realmente bons, só são realmente velhos.
Além disso a arte emula um efeito de lambe-lambe, notória forma de expressão e protesto das ruas, se utilizando dessa estética para protestar contra aqueles que deveriam estar a frente lutando pelos interesses do povo e pela nossa prevalência e futuro, porém cegados por seu imediatismo, ignorância e arrogância, ignoram o fato de que, hora ou outra, também serão afetados pelas mudanças que decorrerão de sua negligência.
Sabendo estamos a apenas 20% do desmatamento que levará a mudanças que alterarão de forma drástica nosso ambiente e produção alimentar, o que pode de forma definitiva levar a nossa ruína, eu pergunto... Meteoro pra quê?

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4º LUGAR:

"Agricultura urbana, o sonho da horta coletiva" de Andrea Campanilli - Santos . SP

A partir do reaproveitamento de caixas de papelão coloridas que seriam descartadas, a obra foi produzida com a técnica de mosaico, adaptada a esses materiais. Como artista visual, adapto diferentes técnicas artísticas visando o reaproveitamento de materiais e incentivando o uso de materiais que temos em casa para fazer arte. Entre elas, o mosaico, que também ensino a  outras pessoas através de aulas na oficina “Eco Criativa”.
A obra “Agricultura urbana, o sonho da horta coletiva” foi inspirada em uma foto aérea de uma horta coletiva localizada em um bairro de Curitiba, (tentei buscar o autor da foto para inserir os créditos, mas não o encontrei) a ideia foi lançar uma provocação sobre criar possibilidades de inserir mais verde, mais alimentos frescos e estimular a coletividade dentro dos centros urbanos. Somos o que comemos, somos resultado de nossas escolhas, e alimentos deve ser direito de todos! Que as hortas coletivas possam, num breve futuro, ser uma realidade.

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5º LUGAR:

"Equilibrio" de Alessandra Vilaverde - São Vicente . SP

Obra: Equilíbrio
Técnica: acrílica sobre papel

 

Partindo da inspiração na imagem de uma bailarina e sua capacidade de equilíbrio, a obra ilustra uma mulher-árvore, com suas raízes avançando pela terra enquanto suas folhas crescem em direções opostas. Envergada pelo tempo, pelas dificuldades, encontra-se com expressão serena e em plenitude. Com ela, a reflexão sobre a importância de encontrarmos um estilo de vida adequado as nossas necessidades, pois somos a natureza.
A obra equilíbrio trata da busca individual de cada ser para encontrar, assim como no movimento da bailarina, o ponto central em atitudes, as soluções para uma sobrevivência e vivência saudável e em harmonia.
Como pensamos no coletivo, como nos alimentamos, a forma como descartamos nosso lixo, o uso que fazemos ou não de agrotóxicos e todo tipo de envenenamento que cometemos com a natureza e nossa saúde, importam! Podemos seguir sem fazer as escolhas certas de desenvolvimento? Não, não podemos. Todo o pensar e busca de conhecimento e técnicas para que nosso futuro se concretize com qualidade de vida depende disso.
A arte toda em preto e branco e algumas nuances em cinza, sem o colorido da natureza e a infinidade de matizes, é um protesto pela forma como nossas florestas e o meio ambiente têm sido tratados desde o passado e infelizmente, ainda no nosso presente.
Por ser um postal, a arte foi pensada para ser vista na vertical e horizontal, mudando assim pontos de vista.

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6º LUGAR:

"Qual será o preço?" de Isaura Silva Dias - Santos . SP

A obra retratada nos faz questionar as consequências da superexploração dos nossos recursos naturais. E repensar nossos hábitos de consumo.
Os alertas de desmatamento na floresta Amazônica cresceram 63,75% em abril de 2020, se comparado ao mesmo mês do ano passado, de acordo com o sistema Deter-B, desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Neste ano, foram emitidos alertas para 405,6 km², enquanto no ano anterior, no mesmo período, foram 247,7 km².
Fonte: G1

https://g1.globo.com/natureza/noticia/2020/05/08/alertas-de-desmatamento-naamazonia-crescem-em-abril-mostram-dados-do-inpe.ghtml

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7º LUGAR:

"A Importância da Agricultura Familiar" de Rodrigo Romero - Santos . SP

Minha obra é inteiramente pensada em todas as famílias de pequenos agricultores que ganham seu sustento trabalhando com plantação de alimento, a agricultura familiar é muito comum em todas as partes do Brasil já que todos os biomas são aptos para essa atividade, sendo também muito importante para a economia empregando mais de 10 milhões de brasileiros.
Sua importância na produção de alimentos para todo o país é muito grande sendo que 70% dos alimentos que são consumidos no Brasil vem da agricultura familiar, além disso a maioria dessas famílias andam de mãos dadas com a sustentabilidade, visando a prática tradicional de cultivo e de mínimo impacto ambiental.
Meu intuito com a criação dessa obra é que mais pessoas consigam valorizar e perceber a importância que essas famílias trabalhadoras tem em relação a agroecologia no Brasil e que sem elas a plantação de alimentos seria muito mais complicada e menos ecológica.

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8º LUGAR:

"Caminhos" de Beatriz Moraes - Sorocaba . SP

O postal surgiu da ideia de representar a agroecologia a partir do estudo dos significados que compõe a palavra, sendo; AGRO: terreno cultivado ou potencialmente cultivável; ECO: prefixo que vem do grego oikos e significa “casa, lar, domicílio, meio ambiente” - e também o outro sentido de ECO, que é a repetição de uma onda sonora por uma superfície ou um objeto; e LOGIA: do grego lógos, que significa "tratado, estudo, teoria". Dessa maneira, o objetivo foi fazer uma composição tipográfica que representasse esses 3 significados, com o terreno cultivável representado pelo cartão totalmente preenchido; a repetição das palavras simbolizando o eco no sentido de propagação necessária da mensagem a favor do meio ambiente e da agroecologia; e o destaque para cada parte da palavra aplicado em um mecanismo de gestalt que, quando olhado no contexto geral, representa a unificação de uma teoria/estudo com várias palavras “soltas” se tornando um só.
Tudo isso para validar a apresentação de caminhos possíveis para uma produção de alimentos mais sustentável, representados na foto da folha de rúcula orgânica em formato de um coração (essa rúcula é real, uma foto feita por mim), que mostra ao mesmo tempo o cuidado com o local onde se planta e os caminhos na sua folha, espalhados entre as palavras, a “terra fértil”. A continuidade dos caminhos, ainda que não lineares, também pode ser representada pela continuidade das palavras nas diagonais. O fato de não ter uma explicação escrita do que é a palavra também é proposital, a fim de gerar curiosidade para aprofundamento no assunto, visto que o postal pode ser visto como um item de decoração.

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9º LUGAR:

"Tao Ecologia" de Maíra Morales Fonseca - Santos . SP

Tao em chinês quer dizer caminho e é o nome do símbolo do yin e yang, que foi a inspiração para essa obra. A simbologia do Tao traz a ideia de equilíbrio, de que tudo na vida é um ciclo. Essa é a mesma ideia que a agroecologia e a sustentabilidade trazem ao equilibrar meio ambiente e sociedade.
Yang é movimento, força motriz, é o que acelera a energia de todos os seres. Yin é geração, criação, interiorização do espirito, calmaria. Todo yang só sobrevive com um pouco de yin, todo yin só sobrevive com um pouco de yang.
Os círculos amarelos e azuis representam a luz solar e a água respectivamente. A água sendo sugada pelas raizes da árvore, que leva os nutrientes do solo até as folhas mais altas. E as folhas recebem a luz solar, fazendo a fotossíntese e nutrindo das folhas até as raízes, sempre num ciclo.
O olhar para a obra vem de cima para baixo onde está centralizado o símbolo principal, dando a ideia de luz e esperança. As raizes em espiral trazem a ideia de movimento e infinito.
O tronco primeiramente sinuoso, acompanhando o ciclo do símbolo do Tao, trazendo o lado feminino de graça e ritmo da natureza. E então, na parte de cima, o tronco na vertical, mostrando o lado masculino de força e estabilidade.

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10º LUGAR:

"Sangue do agricultor" de Gustavo Constantino Bordinhon - São Paulo . SP

Esta obra tem por objetivo ilustrar o quão prejudicial é a “dominação” das grandes companhias no setor rural, seja na pecuária ou agricultura. O pequeno agricultor, as médias e pequenas empresas de cultivo e comércio de bens orgânicos, são devorados pelas grandes, tendo seu espaço tomado.
Grande símbolo dessa “onda” que devasta os pequenos agricultores são as queimadas, o fogo (aqui representado pelas cores quentes), que não só consomem fisicamente a natureza, mas também transformam em cinzas muitas plantações altamente sustentáveis. Em contrapartida, o verde é uma alusão a natureza, a vegetação das quais o pequeno harmoniosamente se utilizapara sobreviver.
O agricultor pequeno, então, é forçado a sair de seu espaço pelos grandes (que aqui são mostrados pelos braços e mãos, sendo aquele acima o pequeno agricultor, e abaixo o grande), e ele sangra (para trazer o símbolo da brutalidade cometida). Sua cultura de cultivo sustentável, harmônica com a natureza a sua volta, é representada pelos elementos superiores (o chapéu de palha, o trigo e as frutas), dos quais ele luta em retomar, enquanto é “forçado” para baixo, para ser consumido pelo fogo.

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